Por que pecamos?
O Salmo 51 nos leva a uma resposta mais profunda do que simplesmente olhar para os atos pecaminosos que praticamos. Davi declara: “em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe”.
Ele não diz que se tornou pecador quando pecou. Também não diz que nasceu apenas com a possibilidade de um dia se tornar pecador.
Ele afirma que foi concebido em pecado.
Essa é a realidade que a doutrina cristã chama de pecado original.
Assista à reflexão
Reflexão do Rev. Augusto Brayner a partir de Salmo 51:1-5, durante o momento de confissão de pecados na liturgia da Igreja Presbiteriana do Alto Branco.
Não nos tornamos pecadores quando pecamos
Desde o princípio da nossa vida, já carregamos uma natureza pecaminosa.
Isso muda a maneira como compreendemos o próprio pecado. Se imaginarmos que o homem nasce moralmente perfeito e somente depois se torna pecador por causa das escolhas que faz, não levaremos suficientemente a sério aquilo que Davi confessa no Salmo 51.
O problema é anterior aos nossos primeiros atos conscientes.
Não somos pecadores porque pecamos. Pecamos porque somos pecadores.
Nossos pecados revelam aquilo que já existe em nossa natureza.
Nossos filhos também são pecadores
Essa verdade também afeta a maneira como pensamos sobre nossos filhos.
É comum recebermos um bebê nos braços e dizermos carinhosamente: “É um anjinho”. Como brincadeira, isso pode parecer inofensivo. O problema aparece quando começamos a tratar nossos filhos como se tivessem sido concebidos em perfeição.
Eles também são pecadores.
E uma das primeiras coisas que precisamos compreender na educação dos nossos filhos é justamente quem eles são.
Quando uma criança é educada levando essa realidade a sério, ela pode aprender desde cedo a reconhecer o próprio pecado e sua condição diante do Deus Todo-Poderoso e Santo.
Assim, ao crescer, não precisará olhar para Deus afirmando sua própria inocência. Poderá reconhecer:
“Senhor, desde o ventre da minha mãe sou pecador.”
Por que precisamos confessar nossos pecados?
É justamente por compreendermos nossa condição que chegamos diante do Senhor em confissão.
Quando nos reunimos para o culto, não confessamos apenas porque cometemos alguns erros ao longo da semana. Chegamos diante de Deus reconhecendo algo mais profundo sobre nós mesmos.
Somos pecadores desde o princípio.
Por isso pedimos:
“Senhor, tem misericórdia de mim, que sou pecador.”
Mas a confissão cristã não termina no reconhecimento da nossa natureza pecaminosa.
Há esperança.
Uma natureza pecaminosa não pode mudar a si mesma
Se o pecado pertence à nossa própria natureza, não conseguimos simplesmente nos libertar dele por nossos próprios esforços.
Ninguém se livra sozinho da própria natureza.
É necessária uma intervenção.
E essa intervenção aconteceu no tempo e no espaço.
Cristo Jesus veio nos encontrar em nossa escravidão ao pecado, libertar-nos do laço opressor do inimigo e nos dar uma nova natureza.
É por isso que nossa esperança para o perdão dos pecados não está em nossas melhores ações.
Nossa esperança está em Cristo, e somente nele.
Pecadores redimidos
Hoje ainda reconhecemos nossa condição e pedimos perdão pela iniquidade do nosso pecado.
Somos pecadores redimidos.
Mas esperamos pelo dia em que já não seremos chamados pecadores, e sim santos, como o Senhor é santo.
Enquanto esse dia não chega, pedimos que Deus nos ajude a viver cada vez mais uma vida de santidade neste mundo e que perdoe a iniquidade do nosso pecado em Cristo, nosso Senhor.
Texto adaptado de uma reflexão do Rev. Augusto Brayner durante o momento de confissão de pecados na liturgia da Igreja Presbiteriana do Alto Branco, a partir de Salmo 51:1-5.
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